Comportamentos alimentares errados colocam em risco a Saúde
A alimentação é um elemento fundamental para a saúde de qualquer ser vivo. Da alimentação dependem o bem-estar e o desenvolvimento humanos. Há países em vias de desenvolvimento em que a carência de alimentos é a causa principal de doenças que pioram a qualidade de vida dos indivíduos e aumentam a taxa de mortalidade, particularmente na infância. Nas sociedades tecnologicamente mais desenvolvidas, com excepção de grupos marginais, a problemática é diferente. As patologias relacionadas com a alimentação causam também significativos prejuízos e sofrimentos que não são menos graves. Estão provavelmente relacionadas com o desconhecimento sobre as doenças, a falta de planificação e educação em relação aos planos alimentares mais saudáveis, uma cultura do corpo com valorização extrema de modelos esteriotipados e a desvalorização da autonomia e do direito à diferença.
Um dos importantes motivos de polémica tem a ver com a distinção entre os hábitos alimentares mais invulgares e os comportamentos alimentares doentios, as doenças do comportamento alimentar. Há crianças que comem com dificuldade e não padecem necessariamente de uma doença, nem os excessos alimentares de alguns jovens adolescentes devem ser considerados doentios, mas sim comportamentos que correspondem a fases do crescimento.
As pessoas com doenças do comportamento alimentar manifestam desagrado em relação à sua aparência e à imagem corporal e os comportamentos alimentares são tão problemáticos que alteram de modo significativo a vida habitual e põem em risco a saúde.
O facto de nos últimos anos se falar bastante mais da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa é uma consequência do avanço da Medicina no sentido de um maior conhecimento e esclarecimento das situações clínicas. São doenças que, embora tratáveis, podem causar a morte, provocam grandes sofrimentos, muitas vezes arrastam-se durante
vários anos, com tratamentos que são difíceis. É também reconhecida a influência dos valores da moderna sociedade ocidental no desencadeamento e na manutenção dos desequilíbrios alimentares, com o endeusamento da magreza, um certo desrespeito pelos horários e tempo para as refeições, associado à promoção e à maior facilidade de aquisição de alimentos hipercalóricos.
Estas doenças são anomalias do comportamento alimentar que se instalam na vida de uma pessoa, muitas vezes ainda jovem, de modo insidioso e sem que o próprio possa reconhecer quer a gravidade do problema, quer a necessidade de tratamento.
Algumas vezes o tratamento não é tão rápido nem adequado devido à resistência em reconhecer que são doenças psiquiátricas. O tratamento é psiquiátrico e impõe que o doente mantenha a sua autonomia e aprenda de modo consistente a tratar de modo saudável do seu corpo e da sua vida. Também por esta razão é difícil que os familiares ou os amigos sejam espontaneamente ajudas eficazes.
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