O que é a Anorexia Nervosa

 

O que é a Anorexia Nervosa

A alimentação faz parte da vida desde o primeiro momento da existência de cada um. Na infância, é através da relação com a mãe e outras pessoas cuidadoras que se vão estabelecendo hábitos alimentares que com o crescimento e o surgir da adolescência mudam, também porque o desenvolvimento normal determina uma crescente autonomia. O comportamento alimentar de algumas crianças preocupa os seus pais e habitualmente são problemas próprios destas fases da vida e não são doenças. Um acompanhamento médico regular ajuda a lidar com estas alterações, dando o tempo necessário para ser resolvidas sem dramatismos.

Há crianças que comem com dificuldade e acabam por comer menos do que é recomendado, mas vão-se desenvolvendo com normalidade; assim como há adolescentes que passam períodos em que parece que não param de comer; qualquer destas situações pode ser considerada normal para estes jovens e para estas fases da sua vida.

A Anorexia Nervosa é algumas vezes indevidamente considerada como uma doença do emagrecimento, como se este tivesse corrido mal e pudesse ser considerado a causa da doença, a maior parte das pessoas que iniciam dietas de emagrecimento não desenvolve uma Anorexia Nervosa, portanto, o problema de adoecer é bastante mais complexo.
A Anorexia Nervosa desencadeia-se na grande maioria dos casos após uma determinação em restringir os alimentos mais calóricos e com o objectivo de reduzir o peso corporal numa fase da vida em que o peso do corpo é reconhecido como insatisfatório e que o corpo passa a ser intermediário para a necessária afirmação de si próprio em relação aos que nos rodeiam. Mas não basta que se determine uma dieta restritiva; para adoecer é necessário que se associem um medo doentio de se aumentar de peso e uma capacidade para ignorar ou até impedir saciar a fome. Não se trata de um capricho nem de um comportamento contrariador em relação aos familiares ou amigos, faz parte da doença não satisfazer a instintiva sensação de fome. Embora o termo anorexia signifique perda de apetite, estes doentes têm apetite mas doentiamente evitam comer sempre que podem ou comem o menos possível. Como mantêm a fome e já estão há muito tempo a comer pouco, a vontade de comer pode ser tão forte que comem às vezes mais do que é aceitável. Entretanto, sentem-se mal por terem comido e alguns doentes provocam o vómito ou usam laxantes ou outras medidas, como praticar exercício físico em demasia. Este comportamento instala-se de tal modo que o doente chega a um peso extremamente baixo; o índice de massa corporal, que é a relação da altura e do peso corporal (peso corporal em quilos/altura x altura em metros), é inferior ou igual a 17, para valores considerados mínimos de 18,5. Com este estado de desnutrição, todo o organismo adoece, a rapariga deixa de ter a menstruação durante vários meses seguidos, a pele apresenta-se seca e com lanugo, os cabelos e as unhas enfraquecem. Surpreendentemente e fazendo parte da doença, os doentes na maior parte dos casos continuam hiperactivos e portanto também vão gastando ainda mais a energia que lhes faz falta para restabelecerem a saúde.
Não se trata, portanto, apenas de decidir ter menos peso e restringir a ingestão de alimentos; muitas pessoas que o praticam não adoecem. Estes doentes apresentam também uma perturbação da auto-análise, uma visão distorcida do seu próprio corpo, o que lhes induz um sofrimento persistente e que se repercute na sua vida social: desvalorizam-se, limitam os contactos com os amigos e isolam-se. As pessoas sentem-se gordas quando estão doentes com tão baixo peso, e esta situação contraditória faz parte da doença; os doentes não são capazes da a alterar usando argumentos lógicos ou obtendo mais informações, pois não é por falta de conhecimentos ou por incapacidade intelectual que não mudam. Há doentes que mantêm um padrão alimentar persistentemente restritivo e outros doentes que alternam comportamentos restritivos com comportamentos purgativos, continuando com um peso extremamente baixo: estes correspondem aos casos de anorexia de tipo purgativo. É uma doença mais frequente em mulheres do que em homens (9 a 10 para 1) A idade de início mais frequente é a da adolescência, entre os 13 e os 18 anos, mas pode surgir antes da adolescência ou na vida adulta. É uma doença cuja prevalência varia com as culturas (segundo os estudos internacionais conhecidos até ao momento), podendo nas populações de mulheres com menos de 25 anos apresentar valores entre 0,5% a 1%. O facto de ser mais frequente em mulheres e na adolescência leva-nos a pensar na importância das alterações hormonais que nesta fase da vida determinam um aumento e um arredondamento das formas do corpo feminino e a necessária adaptação a estas mudanças. Há casos de doenças do comportamento alimentar que são desencadeados na sequência de alterações do corpo experimentadas de modo imposto, como o dos efeitos secundários de alguns medicamentos. Estas particularidades recordam-nos a importância da aceitação do corpo no desenvolvimento e na vida de cada um. Nos dias de hoje é ainda notória a falta de abertura e de disponibilidade para nas famílias ou nas escolas serem abordadas de modo espontâneo saudável e construtivo as questões relacionadas com o corpo.

Escrito por Bem Estar em Anorexia e Bulimia Sem Comentários