Tratamento da gripe
Do mesmo modo que o diagnóstico de gripe é muitas vezes feito pelo próprio doente ou, no caso das crianças, pelos pais, também o tratamento é instituído em casa, com recurso a medicamentos para controlo dos sintomas predominantes. Em Portugal, tal como noutros países, só cerca de metade dos doentes com gripe recorrem a pelo menos uma consulta com um médico. Nos casos de gripe não complicada, independentemente de ter havido ou não observação por um médico, o tratamento e a convalescença devem ser feitos em casa, onde algumas medidas devem ser tomadas, tal como enunciadas na tabela 4, e são as que constituem as recomendações da Direcção-Geral de Saúde. Se existirem dúvidas quanto à gravidade dos sintomas, e à necessidade de recorrer a um serviço de saúde, poderá contactar-se o serviço Saúde 24 -tel.: 808242424, www.saude24.pt – do Ministério da Saúde e obter aconselhamento e encaminhamento de acordo com a situação.
Para alívio sintomático, durante os primeiros dias, podem ser utilizados antipiréticos e analgésicos, com a finalidade apenas de baixar a febre e aliviar as; dores, preferencialmente o paracetamol, e também anti-inflamatórios não esteróides (como por exemplo o ibuprofeno que também tem poder analgésico e antipirético) para diminuir a inflamação, devendo evitar-se a aspirina sobretudo nas crianças.
Conselhos práticos para os doentes com gripe
- Evite mudanças de temperatura
- Não se abafe demasiado
- Meça a temperatura corporal ao longo do dia, com termómetro, e registe-a
- Não tome aspirina sem conselho médico
- Lembre-se de que durante o período de doença não deverá tomar vacinas
- Não vá à escola ou ao trabalho: fique em casa, em repouso, evitando o contacto próximo com outras pessoas, para impedir o contágio
-Beba muitos líquidos: água e sumos de fruta
- Coma o que mais lhe apetecer
- Para a obstrução nasal use soro fisiológico
- Se está grávida ou amamenta, não tome medicamentos sem filar com o seu médico
Existem medicamentos antivíricos que podem ser utilizados no tratamento farmacológico, e também, em algumas situações, na prevenção da gripe. Os antivíricos, para tratamento da gripe, autorizados em Portugal, contêm como substância activa o zanamivir (Relenza®), o oseltamivir (Tamiflu®) e a amantadina (Parkadina®).
A amantadina é eficaz contra os vírus da gripe A; no entanto, o seu uso tem sido desaconselhado quer pelos efeitos indesejáveis que causa a nível do sistema nervoso central, quer sobretudo porque nos estudos de vigilância se tem verificado um aumento preocupante da proporção de vírus circulantes resistentes a este fármaco. Relativamente aos inibidores da neuraminidase, classe mais recente de antivíricos activos contra os vírus da gripe A e B, a que pertencem o zanamivir (Relenza®) e o oseltamivir (Tamiflu®), de acordo com a experiência até agora reunida, verificou-se que são geralmente bem tolerados e que se associam a baixo nível de resistências. Estes medicamentos são eficazes em reduzir a duração da doença, a gravidade dos sintomas e a proporção de complicações associadas à gripe. Por isso, poderão ser usados para diminuir os efeitos da infecção, sobretudo pelas pessoas em quem se espera uma maior probabilidade de complicações associadas à gripe. Para se obter estes benefícios, a medicação deve ser iniciada o mais precocemente possível após o aparecimento dos sintomas, no máximo até passarem 48 horas. Este facto obriga a uma consulta, que como vimos só metade dos doentes procura, e atempada, pois são medicamentos que devem ser tomados por prescrição médica. Em algumas circunstâncias, quando se confirma ou se suspeita de uma infecção bacteriana associada a um quadro de gripe, pode ser necessária a administração de antibacterianos (antibióticos), que não devem ser tomados por iniciativa do doente, em automedicação – mas sempre sob orientação de um médico.
Quando surge um novo subtipo do vírus A (AxNx) capaz de infectar e se transmitir entre seres humanos, anteriormente desconhecido, ou seja para o qual a população tem pouca ou nenhuma imunidade, este vírus causa doença aparente numa grande parte da população e transmite-se rápida e extensamente, causando uma pandemia. Este vírus torna-se endémico na população, causando epidemias a cada 1 a 3 anos, com impacto cada vez menor, à medida que a imunidade de grupo aumente. Se em determinadas circunstâncias surge um novo subtipo vírico (HyNy) pode surgir novamente uma pandemia e desaparecer o vírus anteriormente em circulação (HxNx).
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